O populismo, a várzea e o bicho: notas sobre a teoria do populismo e a crise da esquerda

“O populismo nunca esteve tão na moda. Não dessa forma, pelo menos. Antes, era xingamento. Embora muitos ainda torçam no nariz, sua rejeição já não é uma unanimidade”. Maikel da Silveira analisa os possíveis limites da razão populista na teoria de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe a partir dos estudos de Gabriel Feltran sobre violência e periferia no Brasil. Para Silveira, mais que retornar heroicamente à base, precisamos aprender a jogar na “várzea” da organização política.

O capital está morto

O regime político do nosso tempo não é mais o capitalismo, nem é mais o neoliberalismo. O que é então? O novo livro de McKenzie Wark busca responder essa pergunta: “A classe dominante de nosso tempo não mantém mais seu domínio através da propriedade dos meios de produção, como os capitalistas. Tampouco por meio da propriedade da terra, como os latifundiários. A classe dominante do nosso tempo possui e controla informação.”

Maquinações de um mundo mineral

Drummond e Djanira, poeta e artista, ambos encontraram material poético num mesmo local, numa mesma atividade: a mineração de ferro na cidade de Itabira, Minas Gerais. Mais do que uma coincidência temática, o novo livro de José Miguel Wisnik sobre o poeta e a primeira exposição monográfica da artista desde sua morte jogam luz sobre uma coincidência de soluções formais e críticas sociais.

O enigma de Foucault: a Revolução Iraniana

Michel Foucault já se viu no centro de uma enorme controvérsia a respeito de sua relação com a Revolução Iraniana. Foi acusado de flertar com o obscurantismo e de ser condescendente com a teocracia dos aiatolás. A publicação de entrevistas do filósofo sobre o tema, inéditas em português, pode jogar luz sobre a questão. Francisco Corrêa discute a extensão e os detalhes dessa relação conturbada.

O corpo e suas deficiências na literatura brasileira

Procurar um dispositivo que permeie os romances brasileiros contemporâneos não é uma tarefa simples. Eu poderia, por exemplo, falar das formas de brutalidade e violência, palpáveis em algumas e obnubilados em outras obras. Este trabalho, porém, pende para outro dispositivo: o corpo humano, suas deficiências e suas limitações.

Mais uma vez, Édipo?

A filosofia e a psicanálise não resistem ao mito de Édipo. Aristóteles, Hegel, Nietzsche, Freud e todos os helenistas da história humana já se debruçaram sobre Édipo. O que uma nova tradução de Édipo (desta vez não Rei, mas Tirano) teria a nos dizer de novo?